
Além do Oceano,
2024.
Série de 4 fotos e um curta-metragem em Paraty e Trindade, Rio de Janeiro, Brasil.
Em 2024, durante uma viagem a Trindade, antiga vila de pescadores em Paraty, Rio de Janeiro, deparei-me com um caiaque à beira-mar e me lembrei das palavras de Amyr Klink: “o oceano começa e termina em Paraty”.
O oceano que encanta, por vezes, intimida. Navegar em um barco longe da costa durante a chuva forte, ou mesmo em um caiaque sob a bela luz que precede a escuridão, faz perceber uma fração de seu tamanho. Essas travessias me fizeram admirar tanto a liberdade, quanto a nossa insignificância. Num primeiro momento, voltar para a mesma costa é como atravessar um portal de volta a uma vida que parece secreta.
A partida pode ser tão difícil quanto o retorno. Enquanto as ondas se erguem como barreiras e quebram-se nas pedras em um gesto de intimidação, a correnteza insiste em puxar de volta ao mar. O tempo faz com que as casas que sempre estiveram ali se tornem construções vivas. O muro que, embora nunca tenha saído daquele lugar, agora possui raízes firmes e a beleza das flores é a prova de que elas estão onde deveriam estar. E, quanto mais fortes são essas raízes, mais belo se torna esse vestido e então, para aquelas flores, naquele momento, o oceano e o que um dia existiu depois dele são insignificantes.
Ao voltar a pensar na frase de Klink, compreendo que existe a possibilidade de o oceano não ser a parte fundamental dela, embora tenha sido nele que o navegador deu voz ao seu mundo. O verdadeiro clímax talvez seja o lugar para onde se retorna. Quando essa interpretação surge, o título 'Além do Oceano' deixa de significar milhas náuticas e passa a apontar para o subjetivo: o amadurecimento e a travessia para o território próprio. Às vezes, precisamos atravessar o oceano para finalmente perceber das flores e suas raízes.





